18 - Nilce e Antônio. Que amor de amor!
Ah, que
baile foi aquele! Era dia 29 de junho, baile de São Pedro, no Tênis Clube de
Bauru. Típico baile caipira. Alfredo e Sálua acompanharam Nilce e Lili, filha
de tio Sad, ao clube.
Como sempre, estava lotado de gente! Os bauruenses elegiam o Tênis seu clube predileto. Havia o aristocrático e belíssimo Automóvel Clube. (No Carnaval, dividíamos nosso tempo entre os dois clubes.)
Como sempre, estava lotado de gente! Os bauruenses elegiam o Tênis seu clube predileto. Havia o aristocrático e belíssimo Automóvel Clube. (No Carnaval, dividíamos nosso tempo entre os dois clubes.)
Nilce
estava com um gracioso vestido xadrez, de mangas bufantes e bem rodado, o que
lhe acentuava a cinturinha bem marcada. A graciosidade da roupa estava nos
passa-fitas, e nos delicados detalhes de bordado inglês e sinhaninhas. Enquanto Nilce e Lili
marcavam presença na pista de dança, Alfredo e Sálua ficavam numa mesa, fora do
salão de baile, tomando uns refrigerantes e conversando com amigos.
Nilce e Lili logo se juntaram a outras amigas e, alegremente, conversavam e riam.
De repente, surge à frente da Nilce, convidando-a pra dançar, um jovem, filho de um ricaço, grande amigo de Alfredo. Infelizmente para ele, a estatura pesou. E Nilce nem titubeou. Positiva e sem meias palavras:
-- Não posso dançar com você. Olha minha altura! Acho melhor você tirar uma de minhas amigas pra esta contradança.
Lógico, ele assim obedeceu, bem contrariado. As jovens não se conformavam com o jeito direto da amiga. E riram mais da objetividade da Nilce que da decepção do rapaz.
Nilce esperava encontrar, nesse baile, um paquera, que morava em Bariri, loiro e alto. Quem sabe dançaria com ele. E, olhando de soslaio, seus grandes olhos castanhos -- e castanhos leais -- encontraram-se com outros olhos, muito azuis -- azuis da cor do mar. Seu coração deu um pinote. Não era o loiro de Bariri, mas era loiro também. E que loiraço! Alto, elegantíssimo, bronzeado, mais bonito que o astro de Shane. Bandido! Não é que ele lhe endereçava um sorriso? Havia milhões de mensagens cifradas naquele sorriso. Ah, ele veria que ela não deixaria por menos. Sorriu de volta, e, em seu olhar, estrelas faiscantes, insuspeitadas, flecharam o coração do jovem. A palpitação foi tão intensa, de lado a lado, que, no momento seguinte, já estavam dançando.
Nilce e Lili logo se juntaram a outras amigas e, alegremente, conversavam e riam.
De repente, surge à frente da Nilce, convidando-a pra dançar, um jovem, filho de um ricaço, grande amigo de Alfredo. Infelizmente para ele, a estatura pesou. E Nilce nem titubeou. Positiva e sem meias palavras:
-- Não posso dançar com você. Olha minha altura! Acho melhor você tirar uma de minhas amigas pra esta contradança.
Lógico, ele assim obedeceu, bem contrariado. As jovens não se conformavam com o jeito direto da amiga. E riram mais da objetividade da Nilce que da decepção do rapaz.
Nilce esperava encontrar, nesse baile, um paquera, que morava em Bariri, loiro e alto. Quem sabe dançaria com ele. E, olhando de soslaio, seus grandes olhos castanhos -- e castanhos leais -- encontraram-se com outros olhos, muito azuis -- azuis da cor do mar. Seu coração deu um pinote. Não era o loiro de Bariri, mas era loiro também. E que loiraço! Alto, elegantíssimo, bronzeado, mais bonito que o astro de Shane. Bandido! Não é que ele lhe endereçava um sorriso? Havia milhões de mensagens cifradas naquele sorriso. Ah, ele veria que ela não deixaria por menos. Sorriu de volta, e, em seu olhar, estrelas faiscantes, insuspeitadas, flecharam o coração do jovem. A palpitação foi tão intensa, de lado a lado, que, no momento seguinte, já estavam dançando.
Olhos nos
olhos, frente a frente, cara a cara, mão na mão, e... mão na cintura.
Proximidade perversa e perigosa pra quem nunca, como Nilce, levara muito a sério os jovens que a cortejavam.
Dançar, já dançara com muitos. Dançara com aqueles pés de valsa, que lotavam os
salões. Alguns até que interessantes. Outros, muito sem graça. Mas nunca experimentara este sentimento
de quase tontura, de vertigem, de devaneio, de chegada ao porto, que
experimentava agora. As primeiras frases asseguravam que aquilo seria sério,
muito sério. Dançaram uma, duas, três, quatro contradanças. E a simbiose os
entrelaçou pra sempre. Na alegria e na tristeza. No prazer e no trabalho. Na
saúde e na doença.
-- Nilce,
disse o galã. Você sabe que música é esta?
-- Claro que sei, adoro música e adoro ouvir rádio, respondeu a diva.
-- Qual é o nome desta música que estamos dançando?
-- Ora, Tico-tico no Fubá.
-- Você sabe o que acontece com o casal que dança o
Tico-tico no Fubá?
-- Não. O quê?
E ele, olhando-a fundo nos olhos:
-- O casal que dança o Tico-tico no Fubá nunca mais se
separa.
Nilce quase perdeu a respiração. Pois a verdade é que não
queria nunca mais separar-se dele. Essa tirada do Tico-tico no Fubá? Se é
verdadeira? Se não era, ficou sendo. (Até eu fiquei acreditando nisso, como num dogma.) Dançaram mais uma
contradança. E as afinidades num crescendo.
Lili estava pasma com o que acontecia.
Maravilhou-se e correu pra contar aos tios:
-- Tio
Alfredo, tia Sálua!! A Nilce está dançando com o moço mais bonito do Tênis!
O quê?
Alfredo imediatamente levantou-se, pagou a conta e, puxando Sálua e Lili, dirigiu-se
ao salão, onde procurou a filha querida. Ah, hem? Quem seria o atrevido que
estava dançando com ela? Procurou-a no meio de tantos pares que dançavam.
Ei-la, hã? Feliz, sorridente, com um desconhecido! Fez-lhe sinais exagerados,
até que Nilce o notou. Mais um sinal. Este era claríssimo: para irem embora.
Nilce despediu-se rapidamente, com medo mortal de que seu pai fizesse algum
escândalo. Alfredo Neme, se tivesse que falar alto, não se intimidava com nenhum ambiente.
Naquele
inesquecível baile, Nilce foi praticamente arrancada dos braços de Antônio –
era este o nome do galã – pelo pai enciumado. Em dois passos, já chegaram a
casa: o Tênis ficava a meia quadra apenas. Nilce ouviu algum sermão, mas estava
feliz demais pra se importar com isso. Tudo tinha sido tão rápido, mas eles
dois tinham demonstrado mais rapidez ainda. Trocaram endereços, deram-se os
nomes completos, Antônio guardara de memória o número do telefone de sua deusa.
Eram apenas três números e era molto facile
– ele era de origem italiana - decorá-los: 868. Nilce saiu do clube com a alma
em festa, apesar da carranca de seu pai. Não ia demorar nadinha e teria seu
primeiro encontro com Antônio?
Ah, não foi tudo tão fácil assim. Por um quase pesadelo, Antônio não deu nenhum telefonema para Nilce. Ela estava apaixonada. Escreveu-lhe algumas cartas , Antônio Garcia. Hã? Ela confundiu o sobrenome e, é lógico, ele nunca recebeu as tais cartas. E, assim, parecia que aquele amor tivera fim antes sequer de ter começado.
Nilce nem tinha vontade de passear, ou sair. Vivia à espera de um telefonema, ou de alguma notícia. Uma noite, dessas que só quem morou em Bauru conhece, Norma:
Ah, não foi tudo tão fácil assim. Por um quase pesadelo, Antônio não deu nenhum telefonema para Nilce. Ela estava apaixonada. Escreveu-lhe algumas cartas , Antônio Garcia. Hã? Ela confundiu o sobrenome e, é lógico, ele nunca recebeu as tais cartas. E, assim, parecia que aquele amor tivera fim antes sequer de ter começado.
Nilce nem tinha vontade de passear, ou sair. Vivia à espera de um telefonema, ou de alguma notícia. Uma noite, dessas que só quem morou em Bauru conhece, Norma:
-- Nil,
vamos ao cinema?
-- Nem
pensar. Não tenho a mínima vontade.
-- Olha,
que você vai ter uma surpresa indo hoje ao cinema. Estou avisando...
-- Ah,
também assim é covardia. Vamos nos arrumar.
Ah, a esperança, a começar do nome, é feminina.
Ah, a esperança, a começar do nome, é feminina.
No caminho,
assim que chegaram à Rua Primeiro de Agosto, viram aquele loiro, dirigindo-se a
elas, com aquele sorriso de trezentas cifras.
Bastou um
tantinho de conversa, pra engrenarem as peças das duas máquinas. Sorriso a
sorriso, olhar a outro olhar. Coração a coração. Agora, sim, marcaram o
primeiro encontro.
Naturalmente,
Norma e eu fomos junto, segurando vela. (ainda se fala assim?) Os dois caminhavam à nossa frente,
(nossa, isto é, à frente dos dois candelabros), ou atrás de nós, cheios de
segredos , cochichos e sorrisos. Não prestei atenção na conversa deles, mas,
mesmo se o fizesse, não conseguiria ouvir nada. Só via os sorrisos, os olhares
quentes e cheios de estrelas, com promessas de amor para todo o sempre.
O
namoro ia de vento em popa. Faziam um par maravilhoso! Ambos altos, ela,
morena, ele, loiro. Mas por onde passavam deixavam um rastro de luz e de poesia.
Tudo parecia correr bem, já até falavam em casamento. Eh! "O Tico-tico cá, o tico-tico lá"... O
amor incendiava os corações, a cada encontro marcado. E nós, Norma e eu, lá,
atrás, ou na frente deles. Um mimo! Às vezes, íamos ao cinema, mas em geral
passeávamos pelo jardim do Fórum, ou pelas ruas nos arredores de casa
Todas as terças feiras, Nilce ia à Igreja de Santo Antônio, na Bela Vista e levava,como até hoje faz, pães para os necessitados. Estava ela rezando, durante a celebração religiosa, quando levantou os olhos pra imagem do santo. Santo Antônio lhe dirigiu uma piscada e sugeriu:
-- Nilce, olhe pra trás.
Vagarosamente, Nilce foi virando a cabeça, até que...
--Antônio!! Num minuto, suas almas estavam tão unidas, que nem importava se não estivessem lado a lado.
O amor continuava forte e firme. Só que era um namoro às escondidas. Bem sabia Nilce que teriam que superar muitos obstáculos.
Todas as terças feiras, Nilce ia à Igreja de Santo Antônio, na Bela Vista e levava,como até hoje faz, pães para os necessitados. Estava ela rezando, durante a celebração religiosa, quando levantou os olhos pra imagem do santo. Santo Antônio lhe dirigiu uma piscada e sugeriu:
-- Nilce, olhe pra trás.
Vagarosamente, Nilce foi virando a cabeça, até que...
--Antônio!! Num minuto, suas almas estavam tão unidas, que nem importava se não estivessem lado a lado.
O amor continuava forte e firme. Só que era um namoro às escondidas. Bem sabia Nilce que teriam que superar muitos obstáculos.
Fora os
encontros, a vida corria igual. Nilce fazia o curso científico, mas, mesmo
assim, dava o maior auxílio em casa, ou, mesmo, indo à fazenda
com papai. Além de acompanhá-lo, assessorá-lo, preparava o almoço pra ele, no
fogão a lenha. Tinha muita afinidade com Alfredo, tinha visão do trabalho que
se processava na fazenda e por isto sua presença era muito bem vinda.
Entendiam-se até no olhar. No dia a dia da fazenda, havia contas a acertar com
os colonos e lá estava Nilce pra assistir o pai. Quando, portanto, Nilce começou a
namorar, papai nem ficou sabendo. Se havia uma filha a quem ele era
muito ligado era a Nilce. Por esta razão, quando ela completou dezoito anos,
logo lhe deu lições de direção, na estrada da fazenda, como o fizera com os filhos mais velhos. Nilce, sua
amiga Cecília, a Ceci, e a famosa bauruense Lalai foram as primeiras mulheres a
dirigir carro em Bauru. Pelo que eu me lembre. Nilce, com dezoito anos, já possuía sua carta de
habilitação. ( Lembrando que Alice, logo que se casou, também engrossou a fileira de motoristas femininas na cidade.)
Todos os
domingos, Nilce fazia a feira. (Às vezes ia meu pai,). Depois que deixava as
compras em casa, Nilce, em geral acompanhada por Norma, ou mesmo sozinha, ia
dar uma volta de carro na rua Batista. Aproveitava e comprava jornais e
revistas. Num destes passeios, Nilce bateu o carro e amassou-o um pouco. Tanto
bastou pra que R , primo de Sálua, que presenciara o incidente, corresse à
nossa casa para buzinar o ocorrido nos ouvidos de Alfredo, com a esperança malévola de que ele proibisse a filha de dirigir. Quando meu pai se inteirou de
tudo, para surpresa do delator, ao invés de gritar e esbravejar, como ocorria,
em geral com alguns conhecidos, chamou Nilce, atirou-lhe a chave do carro e
pediu-lhe que fosse comprar palha para o seu cigarrinho. O R ficou pálido. Pois quê? Êssar não lhe dava
ouvidos e entregava a chave do carro e a sua total confiança à filha. A
decepção estava estampada em sua cara. O despeito o fez engolir em seco. Ficou com o queixo no chão! Ele,
que fora fazer intriga, a fim de desmerecer a Nilce, pois tinha um certo despeito por ela fazer bonito
dirigindo o carro do pai, um Crysller, importado. Nem acreditava na reação de
Alfredo. Voltando a Nilce, ao pedido do pai não se fez de rogada.
Com aquela autoconfiança, apanhou a chave no ar e foi, cantarolando comprar a
palha do cigarro. Uma batidinha era normal e seu pai, que lhe dera as lições de
direção, sabia que ela dirigia muito bem.
E Nilce
estava feliz. O namoro ia bem, obrigado. Até que..
Meu pai tinha muitos amigos, entre eles o mais
querido era o Senhor J. Quando esse
amigo ficou sabendo do namoro de Nilce
com Antônio, foi tirar informações sobre o jovem. E o que apurou foi uma
calamidade. Assim que relatou a pretensa ficha de Antônio a Alfredo, instaurou-se o caos
na família. Clima de guerra, momentos, horas, dias e meses de sofrimento, de
incompreensão, de dor. J dizia que Antônio não era honesto, que não era boa
gente, que, enfim, era um desclassificado. E ainda tinha uma sobretaxa: não
tinha saúde, era portador de doença contagiosa e nunca poderia ter filhos. Bom, o cara, pelo relatório do Sr. J, estava podre, acabado. Nunca poderia merecer a mão de
Nilce, filha do amigo mais chegado. E, principalmente, porque o bom velho talvez nutrisse planos para um enlace entre Nilce e seu filho.
-- Nilce,
você está proibida de encontrar-se com ele. Nunca mais, você entende? Nunca
mais você se encontrará com este sem-vergonha. Era a ordem de meu pai à minha
irmã.
Nunca mais, nunca mais
Os ouvidos escutaram
Mas o coração é soberano,
Os olhos se inundaram
A boca se calou
Com tapas e agressões.
É proibido sair,
É proibido passear
Mas
sonhar era seu vício
Sonhar com o amor.
As coisas
estavam num stress total. Nilce não se conformava com estas notícias trazidas
pelo Senhor J . Era impossível que aquela pessoa horrível descrita por ele tivesse alguma
ligação com seu namorado, que parecia ser a pessoa mais correta que já
conhecera na vida. E a mais saudável. Chorava todas as noites. Seu pai
continuava irredutível. Mas o amor crescia no coração de Nilce e no de Antônio.
A proibição de se encontrarem os animava para um amor ainda mais grandioso, que
não cederia às pressões, nem às surras com que Nilce foi castigada, por
desobedecer ao seu pai. Numa destas vezes, seu pai lhe bateu porque:
-- Pai, por favor, verifique como e de onde o Sr. J recebeu as informações. Garanto-lhe que não se referem ao Antônio! Ele não é nada disso, pai! O Sr. J está enganado!!
Não havia este hábito de bater nos filhos. Para corrigi-los dos pequenos pecados do dia a dia, Alfredo e Sálua os deixavam de castigo. (Se nós nos se atrasássemos nas refeições, ou por alguma desobediência qualquer, ficávamos em pé, ao lado da mesa, num canto da copa,, e só nos sentaríamos quando o prazo estipulado fosse decorrido. Os campeões nos castigos eram Nilce e os gêmeos.) E, assim, a Nilce inaugurou as surras em casa. O namoro dela com Antônio tirava meu pai da órbita da serenidade. Tempos de desespero. Meses de discórdia e de aflição. Antônio não arredava pé de seu direito de namorar Nilce. As coisas estavam péssimas. Parecia não haver saída para os apaixonados.
Numa noite de desespero, proibido de falar com seu amor, Antônio se postou frente à casa do Sr. J e estava decidido a tudo. Por que esse homem o denegrira aos olhos de Alfredo? Qual a intenção ao inventar tantas coisas torpes a seu respeito? E lá estava ele, frente à casa de seu inimigo, sim, inimigo, por querer enxovalhar seu nome, por atiçar o ódio de uma família sobre sua pessoa, por causar a separação entre ele e Nilce. Ah, mas ninguém jamais conseguiria separá-lo de seu amor. Ele faria o Sr. J engolir as inverdades caluniosas. O mentiroso veria do que ele, Antônio, era capaz. Uma surra bem dada, pra obter a confissão e o pedido de perdão pelas injúrias. A atitude ameaçadora de Antônio chamou a atenção de quem passava pela rua Rio Branco. O jovem B viu e arrepiou-se. Correu para telefonar:
-- Pai, por favor, verifique como e de onde o Sr. J recebeu as informações. Garanto-lhe que não se referem ao Antônio! Ele não é nada disso, pai! O Sr. J está enganado!!
Não havia este hábito de bater nos filhos. Para corrigi-los dos pequenos pecados do dia a dia, Alfredo e Sálua os deixavam de castigo. (Se nós nos se atrasássemos nas refeições, ou por alguma desobediência qualquer, ficávamos em pé, ao lado da mesa, num canto da copa,, e só nos sentaríamos quando o prazo estipulado fosse decorrido. Os campeões nos castigos eram Nilce e os gêmeos.) E, assim, a Nilce inaugurou as surras em casa. O namoro dela com Antônio tirava meu pai da órbita da serenidade. Tempos de desespero. Meses de discórdia e de aflição. Antônio não arredava pé de seu direito de namorar Nilce. As coisas estavam péssimas. Parecia não haver saída para os apaixonados.
Numa noite de desespero, proibido de falar com seu amor, Antônio se postou frente à casa do Sr. J e estava decidido a tudo. Por que esse homem o denegrira aos olhos de Alfredo? Qual a intenção ao inventar tantas coisas torpes a seu respeito? E lá estava ele, frente à casa de seu inimigo, sim, inimigo, por querer enxovalhar seu nome, por atiçar o ódio de uma família sobre sua pessoa, por causar a separação entre ele e Nilce. Ah, mas ninguém jamais conseguiria separá-lo de seu amor. Ele faria o Sr. J engolir as inverdades caluniosas. O mentiroso veria do que ele, Antônio, era capaz. Uma surra bem dada, pra obter a confissão e o pedido de perdão pelas injúrias. A atitude ameaçadora de Antônio chamou a atenção de quem passava pela rua Rio Branco. O jovem B viu e arrepiou-se. Correu para telefonar:
-- J, meu amigo, não
saia de casa, porque o Nico vai te matar. Ele está disposto a tudo.
Foram salvos ambos, tanto Sr J de ser agredido, e Nico de ser agressor. Nico estava no limite.
No dia
seguinte, o Sr. J. foi visitar Alfredo. Disse que se enganara, que confundira
o sobrenome Giosa com Garcia.
Ninguém
pode negar que J era íntegro, correto, um homem de bem. Todo mundo pode
enganar-se. A própria Nilce confundira os sobrenomes. Olhando Nilce, com
ternura, o Sr. José disse-lhe:
-- Nilce,
eu lhe quero bem, como a uma filha, acredite.
Nunca
ninguém duvidara disso.
Mas meu pai
ficou uma onça, quando soube do quase desatino de Antônio, do grande perigo que
seu amigo correra. Alfredo estava inconformado ao ter ciência dos últimos
acontecimentos. Foi à cata da Nilce, encontrou-a no quarto e, culpou-a pelo perigo que o amigo correra. Levado pela ira, aplicou-lhe uma surra descomunal, com golpes no corpo e nas costas.
Nilce sentiu-se ferida, física e moralmente. Onde estava o pai amoroso, compreensivo? Por que ele não entendia suas razões? Por que ela estava sendo surrada desta maneira impiedosa? J interveio:
Nilce sentiu-se ferida, física e moralmente. Onde estava o pai amoroso, compreensivo? Por que ele não entendia suas razões? Por que ela estava sendo surrada desta maneira impiedosa? J interveio:
-- Calma,
Alfredo, assim você mata a menina!
Alfredo não
se convencia da total falta de base das acusações contra Nico. Queria livrar a
filha, de qualquer maneira, do risco de envolver-se com uma pessoa com sérios problemas de saúde. E cada tapa que lhe dava tinha este recado: este moço não
serve pra você.
No dia seguinte, Nilce foi mandada para fazenda, onde ficou uns bons dias, longe, muito longe de Antônio. Quando voltou a Bauru, sabia que seu amor estava mais forte que nunca.
No dia seguinte, Nilce foi mandada para fazenda, onde ficou uns bons dias, longe, muito longe de Antônio. Quando voltou a Bauru, sabia que seu amor estava mais forte que nunca.
Para esclarecer tantos enganos, sobre
sua saúde e sobre a saúde de seu pai, pois também este fora atingido pelos rumores, Nico chamou o Dr Feres Neme pra examiná-los. Dr Feres, sobrinho amado de Alfredo, foi chamado à residência dos Giosas, em São Paulo, onde médico e pacientes moravam. Feres examinou-os e constatou que nada havia de grave com a saúde dos dois e que os boatos de doença contagiosa não se justificavam. É preciso lembrar que Feres era o médico mais amado e respeitado da colônia libanesa. E, se ele dizia que nada havia que desabonasse
a saúde de Antônio, só podia ser verdade. Nem sombra da terrível doença contagiosa e infamante, graças a Deus. E os exames laboratoriais comprovavam que estavam, pai e filho, plenamente sãos.
Isso deveria bastar. Mas não bastou.
Alfredo insistia em separar os dois namorados com
proibições de todo tipo. Mas era como proibir a cachoeira de jorrar suas águas.
Era como pedir às estrelas que não brilhassem. pedir à Lua que não inspirasse poetas Era impossível manter os dois
afastados. Afinal, Alfredo cedeu. Deixou que namorassem em casa. O Nico ia às
noites, ficava sentado num canto, a Nilce nem tão próxima, meu pai jogando
xadrez com meus irmãos e ninguém, NINGUÉM se dirigia a ele. Entrava mudo, saía
calado. Mas sempre com aquele sorrisinho, tipo deixa-estar-seu jacaré- que-a-
lagoa-há-de-secar.
Uma noite, Dona Cecília Giosa veio pedir a mão de Nilce
em casamento para seu filho, Antônio. Pois bem nessa noite Alfredo estava brilhantemente loquaz.
Toda vez que Dona Cecília começava seu discurso, Alfredo, com mil artimanhas,
mudava de assunto. Isto aconteceu duas, três vezes. Ela não pôde fazer
o pedido e saiu muito decepcionada e ofendida.
Numa segunda visita de Dona Cecília, as coisas correram
do mesmo jeitinho. A respeitável senhora saiu de casa nervosa e descrente de qualquer futuro para o
amor de Nico e Nilce. Resolveu que os noivos é que decidiriam seu destino.
Nilce cansou de ter paciência e resolveu aceitar
a proposta de Antônio: drasticamente, fugiu com o amado. Sem que ninguém
percebesse, saiu de casa, levando poucas roupas, e foi abrigar-se na casa de
Alice e Jorge, que moravam em Iacanga. Não sei se foi narrado que Antônio era fazendeiro em
Iacanga, por isso é que eles resolveram agir assim. O fato de Alice e Jorge morarem naquela cidade
facilitava tudo e resguardava Nilce de falatórios.
Imaginem só o caos que virou nossa casa, com a fuga de Nilce. Gritarias, choros, impropérios, orações, lágrimas, muitas lágrimas. Quem passasse na esquina se inteiraria de toda a história, tal a discrição com que foi tratado o problema. Mas Alfredo e Sálua não queriam expor a filha querida a falatórios. Ela estava na casa da irmã e isto a defendia de qualquer maledicência. Combinaram as estratégias, renderam-se ao amor de Antônio e Nilce e, sem perda de tempo, papai foi buscá-la. Sim, consentiria neste casamento. Sim, lógico, faria o casamento dela com Nico. E voltaram para casa.
No dia seguinte, Nico veio vê-la e estava desesperado.
Imaginem só o caos que virou nossa casa, com a fuga de Nilce. Gritarias, choros, impropérios, orações, lágrimas, muitas lágrimas. Quem passasse na esquina se inteiraria de toda a história, tal a discrição com que foi tratado o problema. Mas Alfredo e Sálua não queriam expor a filha querida a falatórios. Ela estava na casa da irmã e isto a defendia de qualquer maledicência. Combinaram as estratégias, renderam-se ao amor de Antônio e Nilce e, sem perda de tempo, papai foi buscá-la. Sim, consentiria neste casamento. Sim, lógico, faria o casamento dela com Nico. E voltaram para casa.
No dia seguinte, Nico veio vê-la e estava desesperado.
-- Eu não
lhe falei pra ficar na casa do Jorge? Você fugiu comigo, agora você é minha
mulher.
-- Meu bem,
papai falou que agora faz nosso casamento. Assim é melhor.
-- Que faz
casamento nada! Você vai ver, logo ele me põe pra fora outra vez. Quero ver se
ele faz nosso casamento. Quero me casar na semana que vem.
Com dois
cabeçudos, a Nilce tinha que ter aquele jogo de cintura.
Antes de
haver casamento, como Antônio previra, houve muitos contratempos.
Nilce já se
preparava para o casamento. Enxoval, vestido, festa. Com aquela elegância, o
vestido estava lindo, realçando sua elegância e seu porte.
Havia uma patrícia, que vendia pães sírios delivery. Seu nome era B., e era solteira. Quando viu que Nilce preparava um vestido de noiva, a inveja destilou veneno por sua boca:
Havia uma patrícia, que vendia pães sírios delivery. Seu nome era B., e era solteira. Quando viu que Nilce preparava um vestido de noiva, a inveja destilou veneno por sua boca:
-- Você vai
se casar com vestido de noiva? E branco? Pode?
Como dizendo: você saiu de casa e fugiu com ele. Branco é só pra
virgens. Nilce, naquele seu famoso e temido estilo toma-lá-dá-cá
, respondeu desabridamente:
-- Eu vou casar com vestido de noiva e branco, porque eu posso. Entendeu? Eu pooossssooo. mas tem muita filha de Maria por aí, que nem pode pensar em usar vestido de noiva branco ( preciso dizer que B era filha de Maria?).
-- Eu vou casar com vestido de noiva e branco, porque eu posso. Entendeu? Eu pooossssooo. mas tem muita filha de Maria por aí, que nem pode pensar em usar vestido de noiva branco ( preciso dizer que B era filha de Maria?).
Não me
lembro de detalhes da festa de casamento, mas sinto até hoje o clima de felicidade que
envolvia Nilce e Antônio.Nilce conta que papai, levando-a ao altar, seguindo
uma tradição que ele mesmo criara, ainda lhe propôs desistir do casamento, ao
que ela sorriu e:
-- Não, obrigada!
-- Não, obrigada!
Passaram os noivos a
lua-de-mel em Serra Negra. Quando voltaram, Nilce aprendera com o marido a
dançar o tango. Nós ficávamos embevecidos, admirando-os. Que lindo casal formavam! E como dançavam bem e lindamente!
Antônio e Nilce tiveram seu primeiro lar, num apartamento do Edifício Sampieri, da Rua Primeiro de Agosto. Norma e eu frequentemente íamos vê-los. E a casa de Nilce parecia um sonho de ordem e de limpeza! E já havia, na parede de entrada do apê, um altarzinho dedicado ao Santo Protetor, Santo Antônio. (Depois de muitos anos, mudaram-se para um casarão na Gustavo Maciel. E, na nova casa, o altar ao santo continua a iluminar o hall de entrada.)
E logo Nico voltou a frequentar nossa casa, e era como se nunca houvera uma rusga entre meu pai e ele. Se chegassem na hora do jantar, sentavam-se à mesa, não havia luxo, ou enjoamentos: a naturalidade dele nos cativou a todos. Gostava de tudo que minha mãe fazia. Era super comedido na refeição da noite. A única comida que ele jamais experimentou em casa foi o macarrão. Só comia o feito pela mãe ou pela Nilce, que, em pouco tempo, aprendeu os truques da mesa italiana.
Antônio e Nilce tiveram seu primeiro lar, num apartamento do Edifício Sampieri, da Rua Primeiro de Agosto. Norma e eu frequentemente íamos vê-los. E a casa de Nilce parecia um sonho de ordem e de limpeza! E já havia, na parede de entrada do apê, um altarzinho dedicado ao Santo Protetor, Santo Antônio. (Depois de muitos anos, mudaram-se para um casarão na Gustavo Maciel. E, na nova casa, o altar ao santo continua a iluminar o hall de entrada.)
E logo Nico voltou a frequentar nossa casa, e era como se nunca houvera uma rusga entre meu pai e ele. Se chegassem na hora do jantar, sentavam-se à mesa, não havia luxo, ou enjoamentos: a naturalidade dele nos cativou a todos. Gostava de tudo que minha mãe fazia. Era super comedido na refeição da noite. A única comida que ele jamais experimentou em casa foi o macarrão. Só comia o feito pela mãe ou pela Nilce, que, em pouco tempo, aprendeu os truques da mesa italiana.
Nilce e
Antônio começaram sua vida trabalhando, lado a lado. Na fazenda, só havia uma
casa, em que toda a família do Antônio ficava. A convivência com a sogra e,
principalmente, com a cunhada, não era das mais fáceis. Antônio logo viu que as
coisas poderiam piorar e resolveu fazer uma casa só para os dois, em sua fazenda,
Ventania. A partir deste tempo, a vida ficou mais suave para Nilce. A família
logo aumentou com o nascimento da bela Cecília, a Síssy.
Desde pequena, linda, inteligente, graciosa e, mais tarde somou às qualidades anteriores um trato pessoal e um equilíbrio incomuns a nossa família. Alguns anos depois, nascia Marco Antônio, que logo se transformou na coqueluche dos Nemes. O Nassib segurava-o e atirava-o para os braços do Labib. E o garotinho, ao invés de chorar, gargalhava e pedia: “Maisch, maisch.” Lógico, era prontamente obedecido. Nem bem fizera dois anos, levavam-no à fazenda, e o Marco nos fazia gargalhar, pedindo:" guiá tatô". (guiar trator). Era uma festa contínua.
O casal de filhos, Cecília e Marco Antônio, selou o amor que brotou, desde o primeiro olhar, entre os dois jovens, mais parecidos com protagonistas de filmes, tão lindos eram, tão elegantes, tão apaixonados, tão heroicamente trabalhadores.
Desde pequena, linda, inteligente, graciosa e, mais tarde somou às qualidades anteriores um trato pessoal e um equilíbrio incomuns a nossa família. Alguns anos depois, nascia Marco Antônio, que logo se transformou na coqueluche dos Nemes. O Nassib segurava-o e atirava-o para os braços do Labib. E o garotinho, ao invés de chorar, gargalhava e pedia: “Maisch, maisch.” Lógico, era prontamente obedecido. Nem bem fizera dois anos, levavam-no à fazenda, e o Marco nos fazia gargalhar, pedindo:" guiá tatô". (guiar trator). Era uma festa contínua.
O casal de filhos, Cecília e Marco Antônio, selou o amor que brotou, desde o primeiro olhar, entre os dois jovens, mais parecidos com protagonistas de filmes, tão lindos eram, tão elegantes, tão apaixonados, tão heroicamente trabalhadores.
Quando
chegaram à idade escolar, foram Cecília e Marco Antônio levados por Dona Cecília
e Gija, a cunhada, pra estudar em São Paulo. A dor que deve ter causado em
Nilce só com ela ficou. Não se queixou, nem se lamentou. E tinha muito trabalho pra ajudar o marido. As crianças só voltariam, definitivamente,
quando Síssy estivesse no segundo colegial. As férias eram o oásis da mãe saudosa.
A
vida da
Nilce, como esposa, como mãe, como mulher, é uma epopéia grandiosa. O trabalho que Nico
fazia ela
também fez. Sem medo, andou a cavalo, laçou boi, juntou gado,
apartou-o,
marcou rezes, vacinou-as. O pessoal de Iacanga assistia a seu
trabalho com
respeito, admiração, veneração. Passavam pela fazenda, na estrada Bauru-Iacanga, e a visão daquela mulher com têmpera de grega, heroica, soberba, com porte de deusa, os fascinava.
Quando fui lecionar em Iacanga, as pessoas não conseguiam imaginar como eu podia ser irmã de Nilce Neme Giosa. Eu, meio dondoca, professora, é verdade, mas muito aquém do jardim de Nilce. Lembro-me bem dos olhos arregalados de um certo colega, tentando compreender como alguém como eu poderia ser irmã daquele monumento de mulher.
Enquanto trabalhei em Iacanga, Nilce me convidou pra almoçar em sua casa, umas duas vezes. Numa delas, a varanda da casa da fazenda estava tomada por canários, livres, que vinham alimentar-se do alpiste que Nilce lhes deixava. Nunca vi cena tão linda! Sem aprisionar os pássaros cantores por seu suave e maravilhoso gorjear, ela os tinha sempre à mão. Esta é a Nilce. Única e sempre poderosa..
Os anos se passaram. As fazendas progrediam sempre destinadas exclusivamente à criação de gado. Viajavam constantemente para o Mato Grosso, onde possuíam fazendas, também e muito gado.
Quando fui lecionar em Iacanga, as pessoas não conseguiam imaginar como eu podia ser irmã de Nilce Neme Giosa. Eu, meio dondoca, professora, é verdade, mas muito aquém do jardim de Nilce. Lembro-me bem dos olhos arregalados de um certo colega, tentando compreender como alguém como eu poderia ser irmã daquele monumento de mulher.
Enquanto trabalhei em Iacanga, Nilce me convidou pra almoçar em sua casa, umas duas vezes. Numa delas, a varanda da casa da fazenda estava tomada por canários, livres, que vinham alimentar-se do alpiste que Nilce lhes deixava. Nunca vi cena tão linda! Sem aprisionar os pássaros cantores por seu suave e maravilhoso gorjear, ela os tinha sempre à mão. Esta é a Nilce. Única e sempre poderosa..
Os anos se passaram. As fazendas progrediam sempre destinadas exclusivamente à criação de gado. Viajavam constantemente para o Mato Grosso, onde possuíam fazendas, também e muito gado.
Infelizmente,
já com os filhos adultos, Nico teve problemas cardíacos e graves. Ficou com a vida muito restrita. Nilce o assessorando em tudo. Substituindo-o em todas as obrigações.
Passou a reger, além das suas, as tarefas do marido. E conseguiu conduzir os negócios
maravilhosamente. Fazendas de Iacanga e Fazendas de Mato Grosso. E o amor e a confiança entre eles eram tão intensos que quem os visse os abençoava.
Depois de anos de doença, Antônio, com aquele seu jeito afável, amigo, sereno, entregou a alma a Deus.
Depois de anos de doença, Antônio, com aquele seu jeito afável, amigo, sereno, entregou a alma a Deus.
Sobrevieram
mais responsabilidades a Nilce. E ela as enfrentou e as dirigiu. Cuidava de tudo e
vencia todos os problemas..
Nilce, Sissy e Marco Antônio sempre viveram em paz e sob o manto do amor e da compreensão mútua.
Nilce e Antônio, lição de amor pela família. Um amor plenamente retribuído pelos filhos.
Nilce e Antônio, lição de amor pela família. Um amor plenamente retribuído pelos filhos.
Notícias:
Marco Antônio cuidou da fazenda, e, por seu temperamento amável, leal, simples e amigo, conquistou muitas namoradas e inúmeros, eternos e sinceros amigos. Deus o chamou, enquanto fazia sua caminhada diária, pelas ruas dos Altos da Cidade, bairro onde morava, em Bauru. Falar desse luto para Nilce ou para Sissy é reviver a dor e aumentar as saudades. Marco, você terá sempre o amor e a admiração de quem o conheceu.
Sissy é perfeita em tudo que faz. Uma das unanimidades de toda a família. ( E a família não é burra, muito pelo contrário.) Sissy é dona de um invulgar bom senso, maneiras diplomáticas e encantadoras.Todos a amam, a admiram e a respeitam. E a todos distribui carinho, conforta, auxilia de algum modo, com uma palavra ou conselho.pena que seja uma generala. Eu lhe obedeço há muitos anos! Agora é a vez da Karen. Sissy desempenha na vida da Nilce não só o papel de filha, mas de anjo, Tutoreia seus passos, seus deveres para consigo mesma: médicos, dentistas, ginástica. Tudo tem o dedo da Sissy, que herdou da mãe a vontade tenaz e do pai, a saborosa inclusão de provérbios, em suas narrações. Adoro!
Sissy tem duas lindas filhas, Fernanda, hoje médica em Chicago, e Carolina, advogada da Siemens, na Alemanha.
Sissy é perfeita em tudo que faz. Uma das unanimidades de toda a família. ( E a família não é burra, muito pelo contrário.) Sissy é dona de um invulgar bom senso, maneiras diplomáticas e encantadoras.Todos a amam, a admiram e a respeitam. E a todos distribui carinho, conforta, auxilia de algum modo, com uma palavra ou conselho.pena que seja uma generala. Eu lhe obedeço há muitos anos! Agora é a vez da Karen. Sissy desempenha na vida da Nilce não só o papel de filha, mas de anjo, Tutoreia seus passos, seus deveres para consigo mesma: médicos, dentistas, ginástica. Tudo tem o dedo da Sissy, que herdou da mãe a vontade tenaz e do pai, a saborosa inclusão de provérbios, em suas narrações. Adoro!
Sissy tem duas lindas filhas, Fernanda, hoje médica em Chicago, e Carolina, advogada da Siemens, na Alemanha.
Sissy e Júnior, seu marido, sempre vão visitá-las a fim de lhes dar o apoio e o conforto que o amor familiar traz.
Nilce, tem, como seu cantor predileto dos anos 50, Francisco Alves, um companheiro inseparável, desde os mais tenros anos: não é o violão do Chico Viola, mas o rádio, que lhe traz músicas, que acalentam sua alma, e notícias de todos os quadrantes do globo, e que a tornam antenada com seu tempo. Enquanto ouve seu rádio, costura lindos e delicados panos de prato.
E a TV lhe traz os filmes com que se encanta, numa velha e herdada fascinação familiar.
Fala ao Skype, manda recados pelo celular ou email. Antenada. Atualizada!
E o mesmo encantamento que exercia com os canários na fazenda, perdura no jardim de sua casa, em Bauru. Pássaros cantores elegem aquele lugar como seu verdadeiro habitat. Há até um que, ferido, caiu, um dia, entre as folhagens do jardim. Nilce, com muito cuidado, levou-o a um cômodo próximo e, durante semanas, cuidou dele, com desvelo. Naquele cômodo, Nilce guarda a quirera e o alpiste que oferece à sua freguesia alada. Assim que ficou curado, o canário seguiu seus companheiros. Mas Nilce o reconhece, quando, à tarde, à hora do alpiste e quirera, ele, além de comer com seus manos, dirige-se ao cômodo, onde foi tratado e onde sabe que encontrará as provisões à vontade.Sabidinho e de boa memória!
Nilce, tem, como seu cantor predileto dos anos 50, Francisco Alves, um companheiro inseparável, desde os mais tenros anos: não é o violão do Chico Viola, mas o rádio, que lhe traz músicas, que acalentam sua alma, e notícias de todos os quadrantes do globo, e que a tornam antenada com seu tempo. Enquanto ouve seu rádio, costura lindos e delicados panos de prato.
E a TV lhe traz os filmes com que se encanta, numa velha e herdada fascinação familiar.
Fala ao Skype, manda recados pelo celular ou email. Antenada. Atualizada!
E o mesmo encantamento que exercia com os canários na fazenda, perdura no jardim de sua casa, em Bauru. Pássaros cantores elegem aquele lugar como seu verdadeiro habitat. Há até um que, ferido, caiu, um dia, entre as folhagens do jardim. Nilce, com muito cuidado, levou-o a um cômodo próximo e, durante semanas, cuidou dele, com desvelo. Naquele cômodo, Nilce guarda a quirera e o alpiste que oferece à sua freguesia alada. Assim que ficou curado, o canário seguiu seus companheiros. Mas Nilce o reconhece, quando, à tarde, à hora do alpiste e quirera, ele, além de comer com seus manos, dirige-se ao cômodo, onde foi tratado e onde sabe que encontrará as provisões à vontade.Sabidinho e de boa memória!
Penso: que
mulher da literatura poderia se comparar a Nilce? Não encontro ninguém
que se
lhe iguale. Além de tudo, discreta. Nunca alardeou o que fosse. Nem as
artimanhas maldosas de que foi vítima, nem a dor da saudade dos filhos, nem o
cansaço
do trabalho pesado. Nilce tirou de letra qualquer
situação difícil. Nunca teve papas na língua. E já sabem: mexeu com ela, nem espere um
milésimo de segundo pela resposta. Quem fala o que quer pra Nilce, sem dúvida
vai ouvir o que não quer. E com todas as letras.
Mas, por motivos óbvios e de antiga memória, sou totalmente contrária a
qualquer discussão com ela. Hahahá! Aquele respeito pela chefe da
gangue! Porque Nilce é Nilce: sempre vence.
Por afinidades diversas, sempre esteve muito unida a Norma, e, agora, mais ainda, pois são irmãs e praticamente vizinhas. Ambas moram em Bauru. Isso me conforta muito porque sei que uma pode contar com a outra. Ficam, por longos períodos, distantes das filhas.
Nilce: sua paixão, além dos filhos e dos pássaros, são as plantas. Principalmente as roseiras, que cultiva com tanto amor.
No meio de plantas vivas e verdes, roseiras coloridas e em flor, árvores frutíferas generosas, pássaros buliçosos e livres, vive Nilce, com as lembranças de uma vida plena de trabalho e de amor.
A verdadeira filha do meio de nove irmãos está consciente de sua personalidade forte e corajosa, a que nunca abdicou, no menor de seus gestos, Ela nos convida a uma reflexão: ser forte é ser fiel a si mesmo.
Parabéns, mana! Quanto orgulho nos dá! E quanto amor nos desperta, com seu jeito discreto e reservado. Você é uma lenda!
Por afinidades diversas, sempre esteve muito unida a Norma, e, agora, mais ainda, pois são irmãs e praticamente vizinhas. Ambas moram em Bauru. Isso me conforta muito porque sei que uma pode contar com a outra. Ficam, por longos períodos, distantes das filhas.
Nilce: sua paixão, além dos filhos e dos pássaros, são as plantas. Principalmente as roseiras, que cultiva com tanto amor.
No meio de plantas vivas e verdes, roseiras coloridas e em flor, árvores frutíferas generosas, pássaros buliçosos e livres, vive Nilce, com as lembranças de uma vida plena de trabalho e de amor.
A verdadeira filha do meio de nove irmãos está consciente de sua personalidade forte e corajosa, a que nunca abdicou, no menor de seus gestos, Ela nos convida a uma reflexão: ser forte é ser fiel a si mesmo.
Parabéns, mana! Quanto orgulho nos dá! E quanto amor nos desperta, com seu jeito discreto e reservado. Você é uma lenda!
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