quarta-feira, 2 de março de 2016

42 - Anos 50 - Papai é o Maior.

       42 - Anos 50 

      "Papai é o Maior"

     Num lar patriarcal como o nosso, a figura paterna sempre era muito respeitada e, com nove filhos, um tantinho temida.
     Hora de brincar, era brincar. Hora de assuntos sérios, nem pensar em dar palpite.
      Mas, nos fins de semana, aquela tensão de responsabilidades paternas diminuía e Alfredo podia, enfim, soltar-se e ser feliz.
      Os almoços eram pura alegria: comida divina, preparada por Sálua. Cantorias dos filhos. Violão da Norma. Piano da Sônia. Risadas e gargalhadas de casos narrados. Nos fins de semana, Alfredo podia ser ele mesmo sem o duro peso de responsabilidades com a fazenda e com o lar. 
No nosso tempo de adolescência, havia uma música, cantada por Oscarito, artista maior do cinema brasileiro, da época das chanchadas, cujo título era Papai é o Maior!         
Norma e eu cantávamos em dueto esta marcha, que contagiava pelo ritmo e alegria carnavalesca. Alfredo adorava. Quando íamos a Pederneiras, ou num sábado, ou num domingo, visitar nossos tios Adib e Olívia, e primos, papai dirigia o carro, mamãe, bem juntinho ao seu lado, naquele tempo de  bancos inteiriços. Norma e eu, no banco de trás, cantando músicas da época. Alfredo se empolgava com a música brasileira. Adorava marchinhas carnavalescas.
 No carnaval, no Tênis Clube de Bauru, majestoso Transatlântico, reservava sempre uma mesa na galeria, de frente para o salão. Íamos aos bailes nas quatro noites e ele dançava, sempre animado, com um sorriso largo, puxando minha mãe, que não se sentia tão efusiva como ele. Papai a agarrava pelos braços, e praticamente a obrigava a dançar, e ela, sorria, naquele seu jeitinho recatado, controlado. Não! Mamãe não era de soltar as frangas, ao estilo de Renée, Norma e Sônia.  Neste quesito, Alice e Nilce  herdaram a contenção e a classe. .O lema de Sálua era: “tudo que é demais é de menos.” (Fernando Pessoa também disparara:" nada teu exagera ou exclui".) Nada de cantorias expansivas, danças e requebros. Com ela, não. Mas cedia ao convite de papai e dançava, sempre discreta, entre feliz e tímida.
 Foto de Karen Neme Mendes Caetano.

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