29 - Vizinhança da Cussi Júnior, 11-40, anos 40 e 50
CATUCHA
CATUCHA
( Katiushia)
Catucha era a nossa vizinha, e da idade da Norma. Estudava
também no São José. Era filha do Dr Demétrio, um médico bem conceituado de Bauru.
Moravam num sobrado,
do lado ímpar da rua, quase em frente a nossa casa. Catucha era desinibida,
esperta, bonita. E forte. Não quero dizer gorda. Não, de jeito nenhum. Forte que eu digo: exuberante. Não era mignon como Norma e
Micisa. Alta, ombros largos.
Catucha jogava basquete no time da escola e saía-se muito bem.. Muitas
vezes fomos assistir aos jogos do colégio, uma festa, com aquela cantoria
gritada de doer:
" É canja,
é canja,
é canja de galinha,
arranja outro time
pra jogar na nossa linha".
A casa dela tinha um grande quintal e um porão. Certa vez
fui até lá. Ela me mostrou o porão e nele vi muitos brinquedos, entre eles uma
boneca. E havia, também, uma cadeirinha de criança,
encantadora e irresistível aos meus olhos. Neste fugaz encontro, ela me contou,
como se fosse um grande segredo, que quem tivesse em seu jardim a planta
conhecida como colchão de noiva ( pra quem não conhece: flores minúsculas e
vermelhas, multiespalhadas pelos galhos com espinhos grandes e largos - ) teria seus pais mortos em pouco tempo.
Fiquei arrepiada, só de pensar. Eu tinha aquela planta no jardim de casa. Ai!
Que perigo pairava sobre meu lar!
Catucha, pacientemente, aconselhou-me:
--
Arranque-as.
Mais que depressa, dirigimo-nos pra minha casa- era só atravessar a rua- e, furiosamente, ferindo minhas mãos com os espinhos, arranquei-as todas, não deixando sequer uma muda que fosse. Lógico, Catucha me ajudava. Missão cumprida! Por este motivo, meus pais não morreriam. Catucha encarregou-se de jogar as plantas na lixeira de sua casa. Grande amiga!
Alguns meses mais tarde, fui novamente à casa de Catucha, para brincar no seu quintal. Qual não foi minha surpresa: as plantas que eu arrancara de nosso jardim avermelhavam o jardim da casa dela, com força, energia e cor.
Catucha foi a primeira pessoa (?) a se aproveitar de minha boa fé.
Catucha, você estará perdoada desta traição, desde que
tenha seguido a carreira de botânica.Mais que depressa, dirigimo-nos pra minha casa- era só atravessar a rua- e, furiosamente, ferindo minhas mãos com os espinhos, arranquei-as todas, não deixando sequer uma muda que fosse. Lógico, Catucha me ajudava. Missão cumprida! Por este motivo, meus pais não morreriam. Catucha encarregou-se de jogar as plantas na lixeira de sua casa. Grande amiga!
Alguns meses mais tarde, fui novamente à casa de Catucha, para brincar no seu quintal. Qual não foi minha surpresa: as plantas que eu arrancara de nosso jardim avermelhavam o jardim da casa dela, com força, energia e cor.
Catucha foi a primeira pessoa (?) a se aproveitar de minha boa fé.
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