49 - Meu primeiro salário
Enfim, estava lecionando em Marília, e o primeiro mês já se passara. Com o início do segundo mês, vieram as folhas de pagamento e meu salário. Emoção. Como bom professor, nem sabia, como até hoje não sei, o valor da aula paga pelo Estado. Eram aulas de manhã, à tarde e à noite. Ainda pegava umas aulas particulares à tarde, em momentos livres, o que engrossava meus ganhos.
De posse daquele dinheiro todo, uma lufada de bem estar me abraçou. Sabia que as coisas em casa ainda estavam difíceis. Há muito tempo, Norma e eu não comprávamos uma peça sequer. Era o momento de sorrir e sentir um vento de bonança nos afagar.
Fui a uma loja e comprei conjuntos de ban lon: um amarelo para Norma, cor que sempre a favoreceu e a fez brilhar, um branco para minha mãe, que ela poderia combinar com qualquer tailleur, e dois para mim: um azul claro e um coral, pra me apresentar bem aos alunos.
E paro meu pai? O que poderia lhe comprar? Era muito mais difícil.
Passando por uma tabacaria, dei com uma caixa de charutos cubanos. Nem pensei segunda vez.
Sabe o quê? Acertei tudo, na mosca!

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