terça-feira, 28 de abril de 2015

52 - Idas e vindas do amor I



52 - Idas e vindas do amor I

       Os anos se passaram, terminei a faculdade, continuei a sonhar com o Osvaldo. Sonhei tanto que me apareceu um sósia dele. Namorei durante alguns meses, e ele me esperava na esquina da Gustavo Maciel, embaixo do poste. O Sr Sebastião sempre achou que fosse o Osvaldo. Era parecido não só no físico, como na formação moral. Admirável, também. Eu tinha vinte e dois anos e namorei uns seis meses, sem que trocássemos um beijo sequer. Foi lindo! O desejo de um beijo que não aconteceu haveria de nos acompanhar por muito tempo.  Por que isso? Eu não quis! E por que não quis? Sei lá! Acho que não sabia namorar, não sabia me soltar..
       Era véspera de Natal. 1968. Norma namorava o Said na varanda. Horas antes, eu estivera na varanda, sozinha, e um paquera ficou passando e passando em frente de minha casa, até que parou na esquina. Achei um desaforo. Quem ele pensava que eu fosse, pra parar na esquina? Por acaso pensara que eu iria até lá pra sair com ele? Vã ilusão. Entrei na minha casa, fui pra copa, peguei meu som, que era rádio e toca discos, e fiquei ouvindo a maravilhosa música de Simonal, no disco Alegria, Alegria. Estava eu assim muito bem resolvida e entretida, quando a Norma chegou correndo:
       -- Sônia, o Osvaldo está aí. 
       Levantei-me de um salto e corri a recebê-lo. 
       A varanda ficava a meia luz, recebi-o no alto da escada e até hoje sinto o brilho de seus olhos encontrando-se comigo. Trouxe-me um presente, um perfume fino, Femme, comprado na Mesbla, grande magazine de São Paulo, cidade onde trabalhava, há anos, trouxe-me também sachés perfumados para as gavetas. Para o meu pai, trouxe uma garrafa de vinho. Para minha mãe, um rosário de madeira da Bahia.
       Passou a ceia conosco. 
       A comemoração do Natal , em casa, sempre foi muito simples, e é assim que eu gosto até hoje. Frutas secas, frutas naturais, muita uva, bebidas, castanhas cozidas na hora e sanduíches de presunto e queijo.
       Ficamos à mesa conversando e rindo. Até rolou papo sobre lua de mel em Paris. Por qualquer motivo,  eram risos sobre risos. Alegria, reencontro. Mas não seria pra sempre não. Ainda o destino nos pregaria peças.

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