sexta-feira, 18 de outubro de 2013

7 - Santo Anjo do Senhor




Santo Anjo do Senhor,

Meu zeloso guardador!

      No dia seguinte, resolveram visitar uns parentes de Sálua. Todos bem postos, com roupas boas e cuidadas, tomaram um táxi e rumaram para as casa dos parentes que moravam em SP.
      Foram recebidos, em cada lar, com festas e alegria. Parentes que, como eles, deixaram o Líbano e chegaram à nova terra, onde tantos já tinham alcançado sucesso, pelo trabalho e determinação. E esses também já estavam tranquilos, já desfrutavam de algum luxo e muito bem-estar.
      Um dos primos de Sálua começou a rodeá-la, a encantar-se com sua figura feminina e com seus sedutores e misteriosos olhos castanho-claros.
      Alfredo começou a irritar-se com as seguidas perguntas que ele fazia a Sálua. E onde estudara e onde vivera, se conhecera fulano, se encontrara sicrano, se iria morar em São Paulo. Como? Iria morar em ...como é que é? Piratininga??? Que é isto? Onde fica? É cidade pequena, atrasada! Fique aqui, em São Paulo. (isto é: fique aqui na minha casa, case comigo, deixe esse noivo pra lá).
      Grrrrrr! Alfredo captou muito bem o significado das perguntas e daquele atrevido convite. Grrrrrrr O sangue fervia em suas veias.
      Serviu-se um cafezinho enquanto conversavam.
      Alfredo (Êssar) já estava vermelho de raiva. Como quê?!! Queriam roubar-lhe a noiva nas fuças? A noiva era dele, que ninguém se arriscasse a intrometer-se. Tinha que dar um jeito de sair daquela casa, tinha que tirar Sálua de perto desse gafanhoto. A empregada, em uniforme branco, serve o cafezinho fumegante. Café brasileiro, xícaras de porcelana fina. Para acalmar-se, Alfredo aceita uma xícara  e, ao levá-la à boca, os olhos azuis lançavam faíscas, uma raiva quase incontrolável, em seu semblante fechado.
      Ó Anjo da Guarda amigo, velando sempre por ele! Não é que a xícara se desprendeu da asa, que ficou entre os dedos de Alfredo? E o café??? Hã?  O que aconteceu com o café, negro, paulista, que estava transbordando na xícara? Ah, o café banhou o terno branco de linho 120  de Alfredo! Ele nem sentiu o quanto estava quente a bebida. Sentiu, sim, a mão imponderável de seu Anjo da Guarda, que lhe dava o motivo para arrancar-se dali.  Chamou os primos com a energia e a autoridade de quem é o chefe, (Ah hã !),  agarrou a mão de Sálua e puxou-a para longe daquele casarão e longe, para sempre, daquele sujeitinho mequetrefe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário